Red Iberoamericana de Investigación en Imaginarios y Representaciones (RIIR)

O Brasil chora!

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Por Vitória Amaral

Estamos vivendo um momento político delicado de muita tristeza e desânimo, o que não faz parte das características culturais do povo brasileiro. Povo forte, alegre e pacífico! Refletindo as estruturas antropológicas do imaginário, de Gilbert Durand, poderíamos dizer que somos um povo que tem como característica a estrutura mística do imaginário, inserido no regime noturno, no qual as pessoas não se enfrentavam, não se chocavam com suas ideias…

Tudo mudou!

Sentimo-nos estranhas!

Atualmente, o enfrentamento é constante e sistemático entre os que apoiam a Presidenta Dilma Rousseff, com ideias mais democráticas, referindo-se a uma educação para todos/as; inclusão em todos os aspectos sociais; programas sociais intensivos para tirar a população da pobreza e da fome. E as pessoas que são a favor do impedimento da Presidenta, que criticam os programas de inclusão; apoiam atitudes de promover cortes nos serviços sociais essenciais;

Foi empossado um Presidente interinamente que nomeou um ministro de educação que de educação não entende nada; esse, por sua vez… pasmem! Convida um ator de filme pornô para lhe aconselhar quanto aos projetos de educação… o que isso significa?

Mesmo sabendo que muitos fatores levaram à crise política no nosso país, quero apontar as duas principais questões que levaram o nosso país ao caos: “A disputa pelo poder” e “A não aceitação de uma mulher no comando do país”.

Primeiro, a disputa pelo poder, que a partir de estratégias, manobras e técnicas foi provocada por um grupo de políticos contrário à Presidenta Dilma. A atual situação apresenta perdas para o país e para a população brasileira, levando aos confrontos e embates, que, ao mesmo tempo, que transforma o país “místico” em “heróico”, divide o povo e suas opiniões, provocada pelas mídias televisivas, levando, muitas vezes, a situações de injustiça e desumanização na relação opressor-oprimido, citando Paulo Freire (2005, p.31):

A desumanização, que não se verifica apenas nos que têm sua humanidade roubada, mas também, ainda que de forma diferente, nos que a roubam, é distorção da vocação do ser mais. É distorção possível na história, mas não vocação histórica. Na verdade, se admitíssemos que a desumanização é a vocação histórica dos homens, nada mais teríamos que fazer, a não ser adotar uma atitude cínica ou de total desespero. A luta pela humanização, pelo trabalho livre, pela desalienação, pela afirmação dos homens como pessoas, como seres para si, não teria significação. Esta somente é possível porque a desumanização, mesmo que um fato concreto na história, não é, porém, destino dado, mas resultado de uma ‘“ordem” injusta que gera a violência dos opressores e esta, o ser menos.

Outro ponto que quero ressaltar é a forte influência de uma sociedade machista e a sua não aceitação de uma mulher no comando do país. Duas questões, de certa forma, completamente imbricadas. Em uma cultura machista, como a nossa, são visíveis as relações de poder entre homens e mulheres, que para Foucault essa relação se dá sempre entre pessoas capazes de resistir e só acontece entre pessoas livres, porque do contrário, se dá a violência. Mas, chegamos ao nível do abuso do poder e da violência, quando foram feitas imagens desrespeitosas com a Presidenta, além de todo um processo articulado de tirá-la da Presidência. Sabemos que não simples assim e que não há uma dicotomia entre homens e mulheres, mas um machismo que afeta homens e mulheres, que incomoda, que mexe com os poderes e relações.

A luta continua!

O Brasil chora!

“A prática da liberdade só encontrará adequada expressão numa pedagogia em que o oprimido tenha condições de, reflexivamente, descobrir-se e conquistar-se como sujeito de sua própria destinação história” (FREIRE, 2007, p.7).

O que nos alenta é acreditar que todos os fatos históricos passam.

O BRASIL LUTARÁ!

11 de junio de 2016

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